Sobre o artista
Nanny Still (1926–2009) foi um fenómeno raro no mundo do design: uma artista que deu vida ao vidro e fez a cor falar numa era cinzenta. Com um sentido incomparável de estética e experimentação, tornou-se uma das figuras mais influentes na tradição do design finlandês e muito além.
Nascida em Helsínquia em 1926, Still descobriu cedo a sua vocação na Escola Central de Artes e Ofícios. O seu talento para o trabalho em vidro foi imediatamente notado: ela combinava a mestria técnica com uma abordagem lúdica, quase musical, da cor, da forma e da luz. Em 1949, juntou-se à famosa Riihimäki Glassworks, onde se tornou uma das principais figuras do design finlandês do pós-guerra.
O que a diferenciava era a sua coragem. Enquanto outros optaram pela modéstia, Still ousou experimentar cores vivas, formas invulgares e técnicas inovadoras. A sua icónica série Harlekiini é prova disso: combinações de cores brilhantes captadas em desenhos geométricos e elegantes que parecem tanto industriais como poéticos. O seu trabalho era moderno, mas nunca frio — sempre imbuído de calor e de uma profunda compreensão da matéria.
Ainda não se limitou ao vidro. Trabalhou com cerâmica, metal e porcelana, e desenhou para marcas de prestígio como Rosenthal e Wärtsilä Arabia. Em 1958, ela mudou-se para a Bélgica, onde enriqueceu a sua linguagem de design escandinavo com influências europeias. Trabalhou como designer independente, mas manteve-se sempre fiel aos princípios do design finlandês: simplicidade, funcionalidade e respeito pelos materiais.
A sua obra foi reconhecida com vários prémios, incluindo a prestigiada Medalha Pro Finlandia, e o seu trabalho foi exibido em todo o mundo. Mas mais importante do que os prémios é o impacto do seu trabalho: Nanny Still abriu as portas a designers femininas numa indústria dominada por homens e provou que a cor não é uma frivolidade, mas uma poderosa declaração de design.
Nanny Still não era uma força silenciosa; era um espírito experimental e efervescente à frente do seu tempo. O seu copo vive, respira e conta histórias. E em cada reflexo brilha o seu legado: poderoso, colorido e cheio de vida.











































